O fato é: sim, tem hora que o briefing pede uma promotora no balcão distribuindo sachê. Tem job que shrinkar o produto na capa de uma revista é uma solução ótima. Mas, se isso já foi default, hoje é exceção à regra. Se você quer surpreender o consumidor, a opção mais manjada é a menos indicada, ora. Isso é tão óbvio e tão esquecido no dia-a-dia...
Aqui no blog mesmo vimos dois exemplos de sampling que foram resolvidos por marketing direto, lembram?
Agora vi aqui essa ação da Água Mineral Schincariol, que vai fazer um sampling através de uma parceria com a Calvin Klein:
A coleção Verão 08/09 da Calvin Klein Jeans se inspira na pureza e no frescor da água. Então, o que a Schincariol fez: todas as vitrines das lojas CK no Brasil (são 29) estarão decoradas com garrafas que trazem um rótulo especial, assinado pela grife. E o produto será oferecido a todo mundo que for à loja."Ah, mas esse job aqui na minha mão não tem verba pra colocar em uma loja samplers com rótulo personalizado". Ué, tudo bem. Neste caso da Schincariol era pertinente, fazia diferença (é só considerar o target e o canal pra ver) e com certeza era viável, tanto que fizeram. Mas geralmente nada impede a negociação de um sampling de sachês de amaciante de roupa em uma rede de lojas de roupa. Ou a entrega de uma bala ou chiclé em uma rede de restaurantes. Ou de um Sonho de Valsa na bilheteria do cinema. Ou de um refrigerante em uma loja de óculos. Ou de uma água sem rótulo especial em uma rede de lojas de roupa de grife, uai.
Isso gera vários benefícios e os principais são:
Surpresa: o consumidor não espera ser abordado naquele momento - e a abordagem não será mal recebida, porque quando o cara vai ver, já foi;
Contexto: o produto geralmente é entregue em um contexto propício a seu consumo;
Grana: se não tem promotora, não tem salário para a promotora. Mas o mundo não é perfeito e muitas vezes é preciso pagar para fazer o sampling em um canal. Se for adequado e valer mais a pena, em surpresa e contexto, do que contratar as promotoras... continuou sendo vantagem.
No caso da Água Schincariol, por exemplo: o consumidor (segmentado) é impactado em um momento receptivo, ou seja, sem a defesa "ai, saco, lá vem uma promotora sorridente". O produto está completamente inserido no contexto que a marca precisa para que o consumidor vivencie o conceito: loja de grife, status, exclusividade, jovialidade. E aqui também com o feliz bônus de a água ser a inspiração para a nova coleção de roupas.
Pode ser até que a grana que não precisou pagar as promotoras tenha pago os rótulos exclusivos. Afinal de contas, nesse caso, a loja tem vantagem no sampling: a Schincariol forneceu o produto que geralmente é oferecido aos clientes da CK durante a compra. Por isso é parceria. A loja não é simplesmente um canal de distribuição do produto, ela tem interesse também.
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