Agora tá rolando uma certa tendência do bem. Falei disso nesse post aqui. Veja só: todos - sinceramente ou só pra fazer bonito entre os amigos - estão procurando direcionar suas ações para o lado positivo, seja para salvar o planeta, para ajudar os necessitados, ou mesmo para melhorar sua qualidade de vida, afinal, não é só com você que o stress tá pegando... Vemos por toda parte reportagens, posts e conversas sobre como você pode reciclar, conservar, economizar e ajudar o planeta, as pessoas e a si mesmo. Fazer o bem está na moda, mesmo que seja para Maria ir com as outras. E, se as pessoas estão nessa, quem deve abraçar a causa como se não houvesse amanhã? Certo: as marcas. E não para ganhar prêmios, que prêmio não resolve objetivo de marketing: é pra vender mesmo que se deve entrar nessa onda.Porém, tem-se que ter um certo cuidado. Porque, como falei nesse outro post aqui, fazer uma promo dando uma ecobag não significa que você está realmente investindo para ser verde. Reverter uma parte das vendas para a Abrinq em dezembro e nunca mais tocar nesse assunto também não faz muito pela sua imagem a médio prazo. Para conseguir o engajamento dos consumidores, é preciso investir, e investir corretamente, em ações que sejam reconhecidamente eficientes por aqueles que levam o assunto a sério - em vendas e em fazer o bem. Nada de lápis feito de tronco. Nada de mais uma campanha do agasalho. Nada de medir pressão no Ibirapuera. Plataformas bem construídas, my friend, é esse o caminho.
Continuando a fuçar nos vencedores de Cannes desse ano, vi que o GP de Promo foi também por essa linha. Tudo bem que, na verdade, ele nasceu de um briefing que levava a alguma solução que fizesse o bem a toda uma cidade, afinal, a cidade, falida, era justamente o produto em questão. Mas acho que serve como um belíssimo exemplo do que estou falando aqui:A cidade de Yubari, no Japão, faliu em 2007. Os caras têm uma dívida de US$ 353 milhões e a solução do Governo foi chamar uma agência de comunicação pra arrumar uma fonte sustentável de receita para a cidade e trazer de volta a auto-estima da população**.
A agência descobriu que Yubari é a cidade japonesa com o menor índice de divórcio de todo o Japão e, calcada no conceito "sem dinheiro, mas com muito amor", criou um casalsinho de personagens e divulgou a cidade como destino turístico para os casais felizes reafirmarem seu amor. Disso derivaram vários produtos, uma mídia espontânea foderosa e a dívida já foi aliviada em US$ 31 milhões. Veja aqui o site (em japa) e, abaixo, o videocase***:
Link YT
Mais exemplos inspiradores de ações que mobilizam, positivam a imagem de uma marca e têm, como consequência natural, o objetivo de todos os briefings desse mundo: vendas.
Reality Show de Reeducação Alimentar

Jamie Oliver, aquele chef-celebrity inglês, realizou um projeto de reeducação alimentar em seu programa de TV, chamado Jamie's School Dinners. Ele foi em várias escolas da Inglaterra, com o propósito de mostrar o que andava se servindo para as crianças e encontrar soluções. A série-documentário levou o Governo a mudar o cardápio das escolas públicas, inclusive. Inspirado nessa ação, Oliver e Ryan Seacrest (sim, aquele do American Idol, mas aqui no papel de produtor) resolveram fazer uma série em formato de reality show para promover uma mudança de hábitos alimentares em uma das cidades menos saudáveis dos EUA, com altos índices de obesidade na população. Ou seja, ensinar a população a comer (ao contrário de simplesmente sair proibindo gorduras transgênicas e comercial de fast food). Kudos! E, de quebra, ensinar a quem estiver assistindo ao reality show pela TV a comer. Isso é ou não é uma imensamente ótima oportunidade para uma marca de produto alimentício? (vi aqui)
Mudar Faz Bem
Olhaí. Na mesma linha desse anterior, também um reality show, esse patrocinado pela Nestlé, o que já fica claro, de cara, no próprio nome da atração: Mudar Faz Bem. Deve entrar na grade no canal Discovery Home & Health até o final do ano.Serão 6 episódios de 30 minutos focados naquelas pessoas que querem adotar um estilo de vida mais saudável, mas não sabem por onde começar: os participantes receberão a ajuda de especialistas e profissionais de saúde para mudarem seus hábitos de consumo e de vida. (vi aqui)
Zuji Beans

Falei dessa ação nesse post aqui e agora vi que ganhou Ouro em Cannes. Mais uma promo leonina : )
A agência de viagens Zuji fez uma ação para mostrar a seus consumidores (reais e potenciais) que, economizando um pouquinho a cada dia, é possível fazer aquela viagem tão sonhada. Para isso criaram uma série de produtos de uso comum, que foram vendidos a apenas 10 centavos. O primeiro foi o feijão em lata. E daí? Daí que, para vender, resolveram não apenas dar o exemplo, como colocar em prática uma forma de ajudar as pessoas a economizar. Veja o vídeo da ação:
Link YT
Go Humans Go
Essa também já falei aqui nesse post. A campanha "Go Humans Go" da Quaker tem o objetivo de mobilizar os americanos em torno da erradicação da fome nos EUA através de doações e trabalho voluntário.Rola um incentivo para que os consumidores façam propostas de projetos que ajudem no combate à fome de sua comunidade. As propostas são enviadas pelo site e os autores das melhores recebem um subsídio de U$ 500 para colocá-las em prática.
E também doação de alimentos: você compra um produto integral de aveia da marca e entra com o código da embalagem no site. Cada unidade de produto comprada gera 10 unidades doadas a famílias carentes, no limite máximo de 1 milhão de unidades.
Com esse tipo de ação você também acaba "resolvendo" o problema de milhões de pessoas, que querem fazer trabalho voluntário, mas não sabem como proceder. É a tendência do bem. E não é pecado nenhum tomar parte dela, porque, afinal de contas, se você fizer uma ação bacana, você estará ajudando também. Ninguém está se aproveitando nem vai ter que conversar com o cramulhão. Acontece o seguinte: nossa missão é saber o que move as pessoas. E tirar o melhor partido disso. Simples assim.
*dei um copy-cole do Brainstorm #9
**fonte: CHMKT
***vídeo do Estalo
8 comentários:
Excelente post!
o mundo tá ficando chato pra caralho!
Fernando, obrigada :)
Panhoca, o que vc esperava de um mundo em que cantar "atirei o pau no gato" virou politicamente incorreto? ahahahah
:P
Muito bom voltar aqui e ler seus posts Robi :)
O exemplo de Yubari, foi uma puta sacada.
bjao!
Paulo Peres
E volte sempre :)
Robi, como sempre, seus posts valem por uma palestra.
E, Seu Marinhos, como sempre, seus elogios valem por dois :)
tou super atrasada pra comentar, eu sei.
mas qdo vi o case japa fiquei com a sensação de que as pessoas da tal cidade não se divorciam mais não porque se amam, mas por causa dos custos envolvidos no divórcio, hahahaha.
cruel, eu sei. mas that's life.
Postar um comentário